Comandante, capitão, tio, brother, camarada…

O brasileiro e a inserção social

Meu pai era  como este cara da música do Skank que chama todo mundo de chefe, o motorista de taxi, o garçom, o pedreiro lá de casa, que arrastou o término da obra por anos à fio. Mineiro é assim, cordato, humilde nas palavras. Mas tudo isto é só da boca para fora.

A relação do brasileiro com autoridade é complicada. Parecemos legais, desgrilados, mas estamos na verdade sempre sob pressão e alimentamos  um sentimento intenso de desconfiança, de  estarmos sendo abusados pela liderança da igreja, pelo governo, pelos políticos, mesmo quando não estamos. Conservamos uma espécie de ferida oficial na alma que nos deixa nesta condição. Temos um grande amigo,  pessoa em quem confiamos e no momento em que ele recebe alguma “posição” de liderança, pronto, a relação azeda. Qualquer líder é sempre olhado com desconfiança como se fosse um transgressor em potencial. Alguém comum se torna um líder e lá está ele a falar diferente, a empinar o bumbum, a lançar olhares de peixe morto aos “vis mortais” e a sentir na obrigação de dizer coisas que supostamente deveriam ser sábias.

O que é isto? O que é que faz que nossa visão de autoridade e liderança seja tão complicada? Por que esta predisposição negativa e por que esta arrogância e sentimento de superioridade ligados à função de liderança?

Aprendi alguns princípios sobre o modelo de liderança de Jesus e a diferença entre este modelo e modelo mundano. O modelo de Jesus é chamado de tranformacional pelo Dr. Tom Bloomer da Universidade das Nações e o modelo mundano de transacional. O transacional como o nome já diz está baseada em transações, negócios, uma relação toma lá dá cá, de medo, de egoísmo, dou lealdade porque vou receber isto ou aquilo em troca, ou para não receber esta ou aquela punição. O modelo de Jesus é baseado em transformação de caráter e serviço. Pede inclusão, respeito, trabalho ombro a ombro, igualdade.

Quer saber algumas características do modelo transformacional e do transacional? Vamos lá: (Palestra dada por Tom Bloomer no U of N Workshop, Colorado Springs, Setembro 1999.)

Há dois tipos diferentes de líderes [termos usados pelos psicólogos James McGregor/Burns].
1. Liderança Transacional (do Grego: dunamis)
a.    Fundamentado no poder/força.
b.    Trabalha através de coerção.
c.    O líder te diz o que deve fazer.
d.    Modelo: o líder é como um engenheiro numa fábrica.
e.    Os líderes vêem sua organização como uma máquina.
f.    Todos os trabalhadores têm uma parte para atuar e um trabalho para fazer naquela máquina.
g.    O relacionamento entre o trabalhador e o líder é baseado em conceções entre eles. O líder diz: “venha para esse trabalho pra nos servir e lhe daremos algo de volta.” Há dinheiro envolvido, mas também pode haver segurança e um lugar reconhecido na sociedade . Um contrato é criado para que todos entendam qual é o seu trabalho.
h.    Estilo de liderança autoritário.
i.    Praticamente universal ao longo dos séculos 19 e 20.
2. Liderança Transformacional (do Grego: exousia)
•    Baseado na autoridade do líder. Quando Jesus ascendeu aos céus, Ele disse que nos daria autoridade, não poder.
•    “Autoridade” e “poder” são muitas vezes confundidos em traduções diferentes da Bíblia.
j.    Age através de influência, uma visão que congrega as pessoas
•    Um líder transformacional não diz as pessoas o que fazer:
•    ii. Divulga sua visão-uma visão do futuro que os outros quererão seguir.
•    iii. Desafia-nos com um chamado
•    iv. Dá-nos certos valores; não apenas sobre o trabalho, mas também acerca da realização de algo juntos
•    Fundamentado na transformação de cada trabalhador, não em um contrato.
•    O líder convida as pessoas para trabalhararem com ele/ela.
•    Não autoritário, mas liberador.
•    Muitos negócios construídos sob este modelo.

Depois de ensinar sobre isto para um grupo de alunos brasileiros, de repente percebi que seria impossível aplicar o modelo transformacional na nossa cultura sem entender uma serie de questões que envolvem nosso  conceito cultural de liderança. Ao invés de serem libertos pela Verdade que vem destas palavras, os que exerciam liderança, e me ouviam, se sentiam oprimidos por uma utopia inalcançável e os que não exerciam se sentiam munidos de mais ferramentas ainda para cobrar e se ressentir contra seus líderes. O que é que está errado? Percebi que existe algo na base de nossa visão de mundo que não nos permitem entender e incorporar estes conceitos bíblicos de maneira sadia.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em 1

2 Respostas para “Comandante, capitão, tio, brother, camarada…

  1. wilmar

    Até que enfim encontrei algo sobre liderança tranfrmacional do Tom Bloomer.
    Se eu soubesse que vc tinha este blog ja ajudaria muito. Obrigado por compartilhar conosco esta pérola do tom . Desde que ouvi vc falar sobre estes modelos de liderança em uma aula da formação do povo brasileiro(que deveria ser obrigatório no curriculum de ETED) tenho procurado conhecer mais sobre o assunto.
    Um grande abraço

  2. wilmar

    Até que enfim encontrei algo sobre liderança transformacional do Tom Bloomer.
    Se eu soubesse que vc tinha este blog ja ajudaria muito. Obrigado por compartilhar conosco esta pérola do tom . Desde que ouvi vc falar sobre estes modelos de liderança em uma aula da formação do povo brasileiro(que deveria ser obrigatório no curriculum de ETED) tenho procurado conhecer mais sobre o assunto.
    Um grande abraço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s